sábado, 9 de abril de 2011

Campanha contra o uso de agrotóxicos

Campanha contra o uso de agrotóxicos


Você sabia que todos os dias quando almoçamos e jantamos ingerimos uma quantidade enorme de venenos? Nossos alimentos estão contaminados porque as lavouras em todo o Brasil são pulverizadas com grande quantidade de agrotóxicos.
O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo desde 2009. Mais de um bilhão de litros de venenos foram jogados nas lavouras, de acordo com dados oficiais.
Os agrotóxicos contaminam a produção dos alimentos que comemos e a água (dos rios, lagos, chuvas e os lençóis freáticos) que bebemos!
Mas os venenos não estão só no nosso prato. Todo o ambiente, os animais e nós, seres humanos, estamos ameaçados!
Os agrotóxicos causam uma série de doenças muito sérias, que atacam os trabalhadores rurais, comunidades rurais e toda a população, que consome alimentos com substâncias tóxicas e adquire muitas doenças.
A culpa é do agronegócio!
Esse é o nome dado ao modelo de produção agrícola que domina o Brasil e o mundo. Esse jeito de produzir se sustenta nas grandes propriedades de terra (o latifúndio), uma grande quantidade de máquinas (que levam à expulsão das famílias do campo e à superpopulação das cidades), no pagamento de baixos salários (inclusive, trabalho escravo), muito lucro para as grandes empresas estrangeiras e na utilização de uma enorme quantidade de agrotóxicos.
A expansão desse modelo de produção agrícola é responsável pelo desmatamento,
envenena os alimentos e contamina a população.
Ao contrário do que dizem as grandes empresas, é possível uma produção em que todos comam alimentos saudáveis e diversificados. A saída é fortalecer a agricultura familiar e camponesa.
No lugar dos latifúndios, pequenas propriedades e Reforma Agrária. Desmatamento zero, acabando com devastação do ambiente. Em vez da expulsão campo, geração de trabalho e renda para a população do meio rural.
Novas tecnologias que contribuam com os trabalhadores e acabem com a utilização de agrotóxicos Proibição do uso dos venenos. Daí será possível um jeito diferente de produzir: a agroecologia.
Participe dessa campanha para acabar com os agrotóxicos!

De olho na China

Depois de tomar distância do Irã e de reaproximar o Brasil dos EUA, Dilma Rousseff decidiu fazer um novo ajuste na política externa que herdou de Lula. Vai alterar o rumo da parceria com a China.
A presidente embarcou rumo a Pequim na noite desta sexta (8). Voou com a disposição de modular o timbre, agora mais pragmático que ideológico. De saída, Dilma mandou ao freezer uma promessa de Lula. Compromisso verbal, assumido com o presidente chinês Hu Jintao.
Lula havia assegurado que o Brasil reconheceria a China como uma economia de mercado. O aceno desagradou o empresariado brasileiro. Concretizado, significaria a admissão por parte do Brasil de que a China não recorre a práticas comerciais predatórias. Algo que todos sabem ser uma balela.
O capitalismo-socialista chinês inunda o planeta com seus produtos impulsionado pela concorrência desleal. Sob Dilma, o Ministério do Desenvolvimento acaba de impor uma sanção anti-dumping às malhas de viscose que chegam da China.
Verificou-se que o produto aporta no Brasil a preços mais baixos do que os praticados na China. Comprovado o dumping, aplicou-se uma sobretaxa. Providência como essa seria inibida se a promessa de Lula já tivesse virado realidade. Em vez de agir unilateralmente, o Brasil teria de queixar-se na OMC.
Rendida às evidências, Dilma optou por congelar o reconhecimento dos pendores mercadológicos da China. Ela levou para o avião presidencial, como leitura de viagem, um relatório feito pelo Ipea, o Instituto de Pesquisas Aplicadas.
A peça expõe um quadro preocupante. Revela uma assimetria. Empresas chinesas avançam sobre o mercado brasileiro sem freios. Na outra ponta, empresários nacionais enfrentam barreiras para se estabelecer na China.
O texto do Ipea ilumina também uma armadilha que se esconde sob os números da balança comercial. Lula firmou com o colega Jintao um plano de ação conjunta que começou a ser implementado em 2010 e se estenderá pelo mandato de Dilma, até 2014.
Assinado em 2009, o acordo será detalhado em encontros bilaterais ao longo de 2011. Contempla investimentos e acordos comerciais. “O problema do avanço dessas negociações agora é que os chineses sabem claramente o que querem do Brasil”, anota o Ipea em seu estudo.
“No entanto, ainda não se tem claro do que queremos da China”, arremata o órgão de estudos do governo. A intenção de Dilma é a de clarear as coisas.
Entre 2000 e 2010, as exportações do Brasil para a China saltaram de US$ 1,1 bilhão para notáveis US$ 30,8 bilhões. No mesmo período, as importações de produtos chineses cresceram de US$ 1,2 bilhão para US$ 25,6 bilhões.
Embora favorável ao Brasil em US$ 5,2 bilhões, o saldo comercial carrega uma distorção que, no longo prazo, pode convertê-lo em déficit. Vende-se para a China uma pauta de produtos básicos. Compra-se dos chineses uma lista de equipamentos envernizados pela tecnologia.
Nos últimos dez anos, de cada dólar que o Brasil amealhou nas exportações para a China, 87 centavos vieram de produtos primários e manufaturas. A venda de produtos de média intensidade tecnológica renderam 7 centavos. Os de alta tecnologia, 2 escassos centavos de dólar.
Em 2010, os minérios responderam por 40% das vendas brasileiras para o mercado chinês. Oleaginosas, 23%. Combustíveis minerais, 13%. Os três juntos, 76%. Na outra mão, dá-se coisa bem diferente.
Em 2000, o Brasil importou da China US$ 487 milhões em produtos de alta tecnologia. Em 2008, a aquisição desse tipo de mercadoria já somava US$ 8 bilhões. No ano passado, roçaram a casa dos US$ 10 bilhões.
Dito de outro modo: o superávit do Brasil no comércio com a China escora-se na venda de produtos primários. Nos itens de baixa, média e, sobretudo, nos de alta tecnologia acumula-se um déficit crescente.
O Brasil importa da China principalmente máquinas e aparelhos elétricos (33%), caldeiras e máquinas mecânicas (20%) e químicos orgânicos (7%). O cenário não é menos inquietante quando considerados os investimentos.
Na última década, as inversões da China no Brasil experimentaram um crescimento de 294,5%. O Ipea estima que, em 2010, os chineses investiram no Brasil algo entre US$ 13 bilhões e US$ 17 bilhões.
A China opera em solo brasileiro nos mais diversos setores. Vende defensivos agrícolas, produz semi-acabados em aço, fabrica malte, cervejas e chopes, é sócia de bancos de investimento e de empresas de telecomunicações.
Em 2009, investiu US$ 10,7 bilhões em petróleo, US$ 1,8 bilhão no setor financeiro, US$ 1,22 em mineração e US$ 1,72 em energia elétrica. “Fica evidente a estratégia chinesa de garantir o acesso as fontes de recursos naturais, bem como o de tentar influenciar no preço desses setores”, anota o estudo do Ipea.
Como se fosse pouco, empresas chinesas marcham sobre o agronegócio brasileiro. Num processo de aquisição que o Incra não consegue acompanhar, estima-se que os chineses já estão assentados sobre 7 milhões de hectares agricultáveis no Brasil.
E quanto aos investimentos brasileiros na China? Eram diminutos: 0,06% em 2006. E o Banco Central informa que caíram ainda mais: 0,03% em 2010. No ranking dos receptores de inversões brasileiras, a China ocupa a 30ª colocação.
Por que tão pouco? São duas as razões, diz o Ipea. Uma: poucas as empresas exibem disposição para se instalar na China. Outra causa: as poucas que ainda se animam a tentar a sorte no mercado chinês enfrentam “restrições e dificuldades” impostas pelo governo local.
A China não admite concorrência em setores que considera estratégicos. Nas outras áreas, impõe aos estangeiros a sociedade com empresários chineses. Há, no dizer do Ipea, evidente falta de reciprocidade no tratamento.
O que fazer? O texto que Dilma carrega na valise relaciona providências. Por exemplo: uso de instrumentos de defesa comercial; negociação de condições isonômicas para as empresas brasileiras...
...Fiscalização da compra de terras no país; regulação da exploração de recursos naturais brasileiros; submissão dos investimentos chineses às prioridades do Brasil (infra-estrutura, por exemplo)...
...Exigência de que o investidor chinês agregue valor ao que produz no Brasil; e financiamento ao produtor nacional para que evolua dos produtos primários para os tecnológicos.
É longo, como se vê, o caminho a percorrer na relação da oitava economia do mundo com a segunda. Ao trocar ideologia por pragmatismo, Dilma deu o primeiro passo. Não é pouca coisa. Mas está longe, muito longe de alcançar seus objetivos.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Cade aprova compra de postos Ipiranga pela Petrobras

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) publicou hoje no Diário Oficial da União decisão que aprova a compra, pela Petrobras, de ativos do Grupo Ipiranga nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Os ativos incluem distribuição de combustíveis líquidos e lubrificantes; lojas de conveniência e comercialização e distribuição de materiais betuminosos. A decisão foi tomada em reunião do Cade de 17 de dezembro passado, mas com restrições.
A compra de ativos foi condicionada à possibilidade dos donos de postos Ipiranga, em 21 municípios do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, trocarem suas marcas por outras bandeiras até 2012, sem ter de pagar multa rescisória à Petrobrás - que passou a ser dona da distribuição de combustíveis da Ipiranga nessas regiões. A soma da quantidade de postos das bandeiras BR (Petrobras) e Ipiranga e também do volume de vendas dessas duas marcas ultrapassam 50% do mercado, segundo o Cade.
O conselho aprovou também a compra da distribuidora de asfalto da Ipiranga, a Iasa, pela Petrobras. Mas a determinação é que a estatal dê às demais distribuidoras de asfalto do País as mesmas condições que dará à Iasa e que dá à BR.
A Petrobras terá ainda que vender a estrutura de estocagem que adquiriu da Ipiranga no Distrito Federal e arrendar parte da capacidade de estocagem que adquiriu da empresa no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Somados, os tanques da BR e da Ipiranga representam hoje mais de 50% da capacidade de estoque de combustíveis nas três unidades da Federação.


Fonte: Estadão