sábado, 9 de abril de 2011

Campanha contra o uso de agrotóxicos

Campanha contra o uso de agrotóxicos


Você sabia que todos os dias quando almoçamos e jantamos ingerimos uma quantidade enorme de venenos? Nossos alimentos estão contaminados porque as lavouras em todo o Brasil são pulverizadas com grande quantidade de agrotóxicos.
O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo desde 2009. Mais de um bilhão de litros de venenos foram jogados nas lavouras, de acordo com dados oficiais.
Os agrotóxicos contaminam a produção dos alimentos que comemos e a água (dos rios, lagos, chuvas e os lençóis freáticos) que bebemos!
Mas os venenos não estão só no nosso prato. Todo o ambiente, os animais e nós, seres humanos, estamos ameaçados!
Os agrotóxicos causam uma série de doenças muito sérias, que atacam os trabalhadores rurais, comunidades rurais e toda a população, que consome alimentos com substâncias tóxicas e adquire muitas doenças.
A culpa é do agronegócio!
Esse é o nome dado ao modelo de produção agrícola que domina o Brasil e o mundo. Esse jeito de produzir se sustenta nas grandes propriedades de terra (o latifúndio), uma grande quantidade de máquinas (que levam à expulsão das famílias do campo e à superpopulação das cidades), no pagamento de baixos salários (inclusive, trabalho escravo), muito lucro para as grandes empresas estrangeiras e na utilização de uma enorme quantidade de agrotóxicos.
A expansão desse modelo de produção agrícola é responsável pelo desmatamento,
envenena os alimentos e contamina a população.
Ao contrário do que dizem as grandes empresas, é possível uma produção em que todos comam alimentos saudáveis e diversificados. A saída é fortalecer a agricultura familiar e camponesa.
No lugar dos latifúndios, pequenas propriedades e Reforma Agrária. Desmatamento zero, acabando com devastação do ambiente. Em vez da expulsão campo, geração de trabalho e renda para a população do meio rural.
Novas tecnologias que contribuam com os trabalhadores e acabem com a utilização de agrotóxicos Proibição do uso dos venenos. Daí será possível um jeito diferente de produzir: a agroecologia.
Participe dessa campanha para acabar com os agrotóxicos!

De olho na China

Depois de tomar distância do Irã e de reaproximar o Brasil dos EUA, Dilma Rousseff decidiu fazer um novo ajuste na política externa que herdou de Lula. Vai alterar o rumo da parceria com a China.
A presidente embarcou rumo a Pequim na noite desta sexta (8). Voou com a disposição de modular o timbre, agora mais pragmático que ideológico. De saída, Dilma mandou ao freezer uma promessa de Lula. Compromisso verbal, assumido com o presidente chinês Hu Jintao.
Lula havia assegurado que o Brasil reconheceria a China como uma economia de mercado. O aceno desagradou o empresariado brasileiro. Concretizado, significaria a admissão por parte do Brasil de que a China não recorre a práticas comerciais predatórias. Algo que todos sabem ser uma balela.
O capitalismo-socialista chinês inunda o planeta com seus produtos impulsionado pela concorrência desleal. Sob Dilma, o Ministério do Desenvolvimento acaba de impor uma sanção anti-dumping às malhas de viscose que chegam da China.
Verificou-se que o produto aporta no Brasil a preços mais baixos do que os praticados na China. Comprovado o dumping, aplicou-se uma sobretaxa. Providência como essa seria inibida se a promessa de Lula já tivesse virado realidade. Em vez de agir unilateralmente, o Brasil teria de queixar-se na OMC.
Rendida às evidências, Dilma optou por congelar o reconhecimento dos pendores mercadológicos da China. Ela levou para o avião presidencial, como leitura de viagem, um relatório feito pelo Ipea, o Instituto de Pesquisas Aplicadas.
A peça expõe um quadro preocupante. Revela uma assimetria. Empresas chinesas avançam sobre o mercado brasileiro sem freios. Na outra ponta, empresários nacionais enfrentam barreiras para se estabelecer na China.
O texto do Ipea ilumina também uma armadilha que se esconde sob os números da balança comercial. Lula firmou com o colega Jintao um plano de ação conjunta que começou a ser implementado em 2010 e se estenderá pelo mandato de Dilma, até 2014.
Assinado em 2009, o acordo será detalhado em encontros bilaterais ao longo de 2011. Contempla investimentos e acordos comerciais. “O problema do avanço dessas negociações agora é que os chineses sabem claramente o que querem do Brasil”, anota o Ipea em seu estudo.
“No entanto, ainda não se tem claro do que queremos da China”, arremata o órgão de estudos do governo. A intenção de Dilma é a de clarear as coisas.
Entre 2000 e 2010, as exportações do Brasil para a China saltaram de US$ 1,1 bilhão para notáveis US$ 30,8 bilhões. No mesmo período, as importações de produtos chineses cresceram de US$ 1,2 bilhão para US$ 25,6 bilhões.
Embora favorável ao Brasil em US$ 5,2 bilhões, o saldo comercial carrega uma distorção que, no longo prazo, pode convertê-lo em déficit. Vende-se para a China uma pauta de produtos básicos. Compra-se dos chineses uma lista de equipamentos envernizados pela tecnologia.
Nos últimos dez anos, de cada dólar que o Brasil amealhou nas exportações para a China, 87 centavos vieram de produtos primários e manufaturas. A venda de produtos de média intensidade tecnológica renderam 7 centavos. Os de alta tecnologia, 2 escassos centavos de dólar.
Em 2010, os minérios responderam por 40% das vendas brasileiras para o mercado chinês. Oleaginosas, 23%. Combustíveis minerais, 13%. Os três juntos, 76%. Na outra mão, dá-se coisa bem diferente.
Em 2000, o Brasil importou da China US$ 487 milhões em produtos de alta tecnologia. Em 2008, a aquisição desse tipo de mercadoria já somava US$ 8 bilhões. No ano passado, roçaram a casa dos US$ 10 bilhões.
Dito de outro modo: o superávit do Brasil no comércio com a China escora-se na venda de produtos primários. Nos itens de baixa, média e, sobretudo, nos de alta tecnologia acumula-se um déficit crescente.
O Brasil importa da China principalmente máquinas e aparelhos elétricos (33%), caldeiras e máquinas mecânicas (20%) e químicos orgânicos (7%). O cenário não é menos inquietante quando considerados os investimentos.
Na última década, as inversões da China no Brasil experimentaram um crescimento de 294,5%. O Ipea estima que, em 2010, os chineses investiram no Brasil algo entre US$ 13 bilhões e US$ 17 bilhões.
A China opera em solo brasileiro nos mais diversos setores. Vende defensivos agrícolas, produz semi-acabados em aço, fabrica malte, cervejas e chopes, é sócia de bancos de investimento e de empresas de telecomunicações.
Em 2009, investiu US$ 10,7 bilhões em petróleo, US$ 1,8 bilhão no setor financeiro, US$ 1,22 em mineração e US$ 1,72 em energia elétrica. “Fica evidente a estratégia chinesa de garantir o acesso as fontes de recursos naturais, bem como o de tentar influenciar no preço desses setores”, anota o estudo do Ipea.
Como se fosse pouco, empresas chinesas marcham sobre o agronegócio brasileiro. Num processo de aquisição que o Incra não consegue acompanhar, estima-se que os chineses já estão assentados sobre 7 milhões de hectares agricultáveis no Brasil.
E quanto aos investimentos brasileiros na China? Eram diminutos: 0,06% em 2006. E o Banco Central informa que caíram ainda mais: 0,03% em 2010. No ranking dos receptores de inversões brasileiras, a China ocupa a 30ª colocação.
Por que tão pouco? São duas as razões, diz o Ipea. Uma: poucas as empresas exibem disposição para se instalar na China. Outra causa: as poucas que ainda se animam a tentar a sorte no mercado chinês enfrentam “restrições e dificuldades” impostas pelo governo local.
A China não admite concorrência em setores que considera estratégicos. Nas outras áreas, impõe aos estangeiros a sociedade com empresários chineses. Há, no dizer do Ipea, evidente falta de reciprocidade no tratamento.
O que fazer? O texto que Dilma carrega na valise relaciona providências. Por exemplo: uso de instrumentos de defesa comercial; negociação de condições isonômicas para as empresas brasileiras...
...Fiscalização da compra de terras no país; regulação da exploração de recursos naturais brasileiros; submissão dos investimentos chineses às prioridades do Brasil (infra-estrutura, por exemplo)...
...Exigência de que o investidor chinês agregue valor ao que produz no Brasil; e financiamento ao produtor nacional para que evolua dos produtos primários para os tecnológicos.
É longo, como se vê, o caminho a percorrer na relação da oitava economia do mundo com a segunda. Ao trocar ideologia por pragmatismo, Dilma deu o primeiro passo. Não é pouca coisa. Mas está longe, muito longe de alcançar seus objetivos.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Cade aprova compra de postos Ipiranga pela Petrobras

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) publicou hoje no Diário Oficial da União decisão que aprova a compra, pela Petrobras, de ativos do Grupo Ipiranga nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Os ativos incluem distribuição de combustíveis líquidos e lubrificantes; lojas de conveniência e comercialização e distribuição de materiais betuminosos. A decisão foi tomada em reunião do Cade de 17 de dezembro passado, mas com restrições.
A compra de ativos foi condicionada à possibilidade dos donos de postos Ipiranga, em 21 municípios do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, trocarem suas marcas por outras bandeiras até 2012, sem ter de pagar multa rescisória à Petrobrás - que passou a ser dona da distribuição de combustíveis da Ipiranga nessas regiões. A soma da quantidade de postos das bandeiras BR (Petrobras) e Ipiranga e também do volume de vendas dessas duas marcas ultrapassam 50% do mercado, segundo o Cade.
O conselho aprovou também a compra da distribuidora de asfalto da Ipiranga, a Iasa, pela Petrobras. Mas a determinação é que a estatal dê às demais distribuidoras de asfalto do País as mesmas condições que dará à Iasa e que dá à BR.
A Petrobras terá ainda que vender a estrutura de estocagem que adquiriu da Ipiranga no Distrito Federal e arrendar parte da capacidade de estocagem que adquiriu da empresa no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Somados, os tanques da BR e da Ipiranga representam hoje mais de 50% da capacidade de estoque de combustíveis nas três unidades da Federação.


Fonte: Estadão

terça-feira, 29 de março de 2011

Embraer disputa com Odebrecht a liderança no mercado de defesa

Companhia, que já comprou a Orbisat em março, tem US$ 200 milhões para investir em ativos neste ano
Ana Paula Machado
A Embraer quer entrar com força total no segmento de Defesa. Após adquirir a divisão de radares da Orbisat no início do mês, a companhia tem planos de fazer novas aquisições e se tornar âncora do segmento no Brasil. O presidente da Embraer, Frederico Curado, avalia que a concentração do negócio de defesa em uma única empresa permite que ela fique menos dependente de decisões e orçamentos governamentais e ganhe mercado fora do país.

“É um modelo de defesa mundial. Em países como Alemanha, Estados Unidos e França, há uma empresa que nucleia todo o segmento. E a Embraer tem toda a expertise para desempenhar esse papel no Brasil. Dará mais estabilidade para a operação e não estará tão exposta a restrições no orçamento”, afirma Curado. A Embraer começou sua ofensiva no mercado de defesa com a compra da Orbisat, mas perdeu a corrida para a aquisição de 50% do controle da Mectron, fabricante de mísseis, para a Odebrecht. “Isso não vai nos desviar de nossa intenção de ser uma empresa líder no setor de Defesa no Brasil.Omercado é livre”, diz o executivo
A companhia ainda está no páreo para a aquisição da Atech, que é especializada em sistemas de defesa. Foi a Atech que desenvolveu o SpinOff do programa Sistema de Vigilância da Amazônia( SIVAM), e tem trabalhado em desenvolvimento de sistemas de comando e controle (C2), assim como de Controle de Tráfego Aéreo com trabalhos realizados no exterior.

O pesquisador do Instituto de economia da Universidade de Campinas (Unicamp), Marcos Barbieri, avalia que a tendência é que haja dois grandes conglomerados na área de defesa no Brasil, tendo a Embraer e a Odebrecht, que está construindo os submarinos para a Marinha Brasileira, como principais concorrentes. “Estamos no meio do processo de consolidação do setor.”
Para ele, a Embraer está seguindo os passos de seus grandes concorrentes internacionais, que depois de se consolidarem como grandes provedores de soluções na área de Aeronáutica se voltaram para o negócio de Defesa. Já a Odebrechet é uma empresa na área de grandes obras e, segundo o pesquisador, faz todo o sentido que ela se una a outras companhias de defesa, uma vez que o negócio implica tambémgrandes obras. “Além disso, é uma empresa com fôlego econômico para investimentos”, diz Barbieri.

Investimentos No total, a Embrar planeja investir US$ 500 milhões em2011, sendo US$ 200 milhões incluindo os recursos já aplicados na aquisição da Orbisat, e outros US$ 300 milhões em pesquisa e desenvolvimento de produtos. Em2010, os investimentos em ativos somaram US$ 74 milhões, recursos aplicados em uma unidade de peças em Portugal e numa fábrica na Flórida, dedicada à montagem final de jatos executivos. O faturamento em 2010 foi de US$ 5,35 bilhões (R$ 9,38 bilhões). No ano passado, a Embraer apresentou um lucro de R$ 573,6 milhões, uma queda significativa ante os R$ 912,1 milhões de 2009. “O real forte implicou uma queda no lucro líquido”, afirmou Curado.
Para 2011, a Embraer projeta em ativos um crescimento de 5% em sua receita líquida, atingindo US$ 5,6 bilhões. A área de aviação comercial deverá ser responsável por US$ 3,1 bilhões e a aviação executiva por US$ 1,2 bilhão. O negócio de Defesa e Segurança, US$ 600 milhões e Serviços US$ 700 milhões.
A carteira de pedidos da Embraer é robusta. Segundo Curado, a companhia tem US$ 16,6 bilhões em encomendas, total que sustentam o ritmo de produção por três anos. “Nosso desafio para manter a produção é no médio e longo prazo . O mercado aviação está se recuperando, mas alguns grandes consumidores ainda estão em uma fase lenta de recuperação.”

sexta-feira, 18 de março de 2011

A locura de Maumar Kadafi

Como cantava Frank Sinatra em My Way, Muamar Kadafi também sempre fez as coisas do seu jeito. Quando os protestos públicos, ao estilo de Egito e Tunísia, não conseguiram desalojar o líder líbio, eclodiu uma rebelião em escala total que se chocou contra a brutalidade implacável tão familiar aos velhos observadores de Kadafi. A situação da Líbia, que viviam um impasse entre governistas e rebeldes, parece ter se definido em favor do ditador. No momento em que a comunidade internacional aprovava medidas punitivas no Conselho de Segurança da ONU e se perguntava quando e como Kadafi poderá cair, trataremos de derrubar alguns equívocos sobre o caprichoso líder.
1) Kadafi é louco. Dado: Kadafi parece um ditador demente. Ataques homicidas contra seu próprio povo? Confere. Ideologia maluca? Tente ler as digressões incoerentes do seu Livro Verde, seu manifesto dos anos 70. Declarações públicas bizarras? Ouça sua arenga de 90 minutos contra o mundo diante da Assembleia Geral da ONU, em 2009. Acrescente à mistura sua força de segurança só de mulheres, a Guarda Amazônica, e a tenda beduína que ele monta durante suas viagens. As evidências sugerem uma pessoa maluca.
No entanto, Kadafi não conseguiria se manter no poder por tanto tempo num país tão dividido como a Líbia se não fosse um operador político astuto. Ele se adaptou ao longo dos anos, ajustando sua mensagem para agradar eleitorados diferentes com pan-arabismo, pan-africanismo, antiocidentalismo e uma tentativa idiossincrática de socialismo. Ele usou todos os meios a sua disposição para alcançar seu único objetivo: permanecer no poder.
A riqueza do petróleo da Líbia capacita Kadafi a comprar lealdades. Quando a lealdade não pode ser comprada, ele usa a intimidação e a violência para extraí-la - por exemplo, na repressão brutal dos estudantes islâmicos no leste da Líbia nos anos 90. Ele removeu metodicamente seus inimigos, mantendo os militares fracos, as tribos divididas e os radicais islâmicos temendo pelas próprias vidas. Ele manteve seus inimigos se digladiando em vez de trabalharem juntos para derrubá-lo. Ele chegou a manipular seus próprios filhos, atiçando suas rivalidades, para impedir que um deles se tornasse poderoso demais.
Até o mês passado, Kadafi conseguiu controlar tudo e todos em seu país, enquanto alegava não ter nenhum cargo oficial. O argumento é maluco, mas o homem que o diz tem sido bem-sucedido demais para ser subestimado e considerado um louco.
2) Kadafi lutará até a morte. Depois que o presidente Ronald Reagan chamou Kadafi de "cachorro louco do Oriente Médio", muitos acharam que o ditador morreria antes de deixar o poder. Embora não se deva esperar uma rendição fácil do homem que prometeu enfrentar a rebelião líbia "até a última gota de sangue", o passado de Kadafi sugere que ele é capaz de recuar do precipício.
Após os EUA invadirem o Iraque, em 2003, Kadafi temeu que seu regime pudesse ser o próximo. Ele desistiu então de seu programa de armas nucleares e pagou indenização às famílias das vítimas do atentado em Lockerbie em troca de um fim das sanções comerciais americanas. Se lhe deram terreno antes, por que não agora? Reportagens na mídia árabe sugerem que ele não descartou a possibilidade de deixar o poder em troca de imunidade a perseguições e asilo no exterior para ele e sua família. Uma aposentadoria pacata em Caracas ou Harare não deve ser descartada se os rebeldes ganharem terreno.
3) Mercenários estrangeiros mantêm Kadafi no poder. A coisa não é tão simples e direta. Combatentes dos vizinhos Chade, Níger e também de Síria, Sérvia e Ucrânia acorreram para Kadafi em sua hora de necessidade, mas o apoio central do líder líbio vem de clientelas domésticas, que incluem unidades de forças especiais comandadas por seus filhos, uma segurança interna formidável e a fidelidade de seu próprio grupo tribal, Gaddadfa. Muitos "estrangeiros" da Líbia já vivem há anos no país. Eles vieram do Chade, Mali e Níger ainda nos anos 70 para ingressar na Legião Islâmica de Kadafi.
4) Uma zona de exclusão aérea acabará com Kadafi. É muito improvável. Aliás, o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, e vários generais de peso vacilaram ante o custo e os riscos de destruir as defesas aéreas líbias. De qualquer maneira, os ataques mais significativos do regime contra os rebeldes não têm sido conduzidos por aviões, mas por forças terrestres e helicópteros capazes de se esquivar de uma zona de exclusão aérea. Há também uma realidade diplomática incômoda: não seria fácil uma intervenção obter respaldo na Otan, onde a Turquia é contrária - embora tenha sido aprovada na ONU.
E, mesmo que uma zona de exclusão aérea pudesse derrubar Kadafi, por que o presidente dos EUA, Barack Obama, desejaria estabelecer uma? Os EUA estão cautelosos, temendo uma nova intervenção confusa em um país muçulmano. A menos que Kadafi comece a usar aviões para causar uma matança em massa, uma zona de exclusão aérea pode, quando muito, aplainar o campo de jogo para que os dois lados da guerra civil na Líbia possam lutar de maneira mais igual - e não é Kadafi que está por baixo nessa batalha.
5) Remova Kadafi e os problemas da Líbia serão resolvidos. O regime de Kadafi teve um benefício: manteve unido um país dividido. Sua saída deixará um vácuo de poder. Kadafi fez um serviço tão completo para eliminar sua oposição que não há nada para substituí-lo. Os rebeldes são unidos por pouco mais que seu ódio ao ditador.
Secularistas, monarquistas e até ex-jihadistas batalham ombro a ombro nessa luta. As lealdades tribais complicam ainda mais os esforços para forjar uma frente comum. Todas as facções pedem uma ação internacional para destituir Kadafi, mas estão divididas sobre a forma que essa ação deve tomar.
Só depois que o Conselho Nacional Interino foi estabelecido na cidade de Benghazi tomada pelos rebeldes, em 26 de fevereiro, a oposição a Kadafi começou a se aglutinar. No entanto, isto foi no começo. Durante quase uma semana, o ex-ministro da Justiça Mustafa Abdel-Jalil disputou a liderança do conselho com o advogado Abdel-Hafidh Ghoga.
Jalil só foi confirmado no comando no dia 5. Mesmo se os rebeldes da Líbia conseguirem alcançar a vitória no campo de batalha, a tarefa de construir um movimento nacional numa sociedade dividida serão ainda mais difíceis.

quarta-feira, 16 de março de 2011


Imagem da TV NHK mostra o reator 2 da usina nuclear de Fukushima, que também teve problemas nesta terça-feira
Foto: AFP
O nível de radiação subiu "consideravelmente" na central nuclear de Fukushima 1, onde há um incêndio no reator Nº 4, informou nesta terça-feira o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan. O premiê pediu à população que não saia de casa e que adote medidas de proteção contra a radiação em um raio de 30 km em torno da central nuclear.
"Um incêndio atinge o reator 4 e o nível de radiação subiu consideravelmente", declarou o chefe de governo em mensagem à Nação. "Peço às pessoas em um raio de 20 a 30 km (de Fukushima) que permaneçam dentro de casa ou em seus escritórios", disse o primeiro-ministro.
O governo já havia determinado a saída de mais de 200 mil habitantes da área dentro do raio de 20 km em torno do complexo nuclear. O porta-voz do governo Yukio Edano explicou que o hidrogênio que escapa para atmosfera carrega substâncias radioativas.
"Estamos fazendo o melhor possível para controlar o incêndio", disse Edano, admitindo que o nível de radioatividade medido no complexo nuclear é perigoso para a saúde. "Ao contrário do que ocorria até o momento, agora não há dúvidas de que o nível de radiação pode afetar a saúde de seres humanos" em Fukushima.
Terremoto e tsunami devastam Japão
Na sexta-feira, 11, o Japão foi devastado por um terremoto que, segundo o USGS, atingiu os 8,9 graus da escala Richter, gerando um tsunami que arrasou a costa nordeste nipônica. Fora os danos imediatos, o perigo atômico permanece o maior desafio. Diversos reatores foram afetados, e a situação é crítica em Fukushima, onde existe o temor de um desastre nuclear.
Juntos, o terremoto e o tsunami já deixaram mais de 1,8 mil mortos e dezenas de milhares de desaparecidos. Além disso,s prejuízos já passam dos U S$ 170 bilhões. Em meio a constantes réplicas do terremoto, o Japão trabalha para garantir a segurança dos sobreviventes e, aos poucos, iniciar a reconstrução das áreas devastadas.

Dissuasão

    Dissuasão!!
Dissuasão – A capacidade de dissuasão não significa sempre a de vencer a guerra, mas ao menos a de cobrar um preço superior às vantagens a serem obtidas.

Obviamente a capacidade absoluta de dissuasão são as armas nucleares. Quem as tiver. E meios de lançá-las, jamais será invadido nem pressionado além de certos limites.

Se observarmos com olhar crítico veremos que, a partir da “demonstração” de Hiroshima e Nagasaki, as armas nucleares e políticas foram desenvolvidas mais para garantir a paz do que para ganhar uma guerra. Assim foi o desenvolvimento nuclear da então URSS. Certamente os países nucleares, em alguma vez mantiveram a aberta a opção nuclear, mas sempre contida pela capacidade de revide, mesmo que com menor intensidade.

Até uma disponibilidade mínima fornece garantia de dissuasão nuclear. Israel não sobreviveria nos próximos tempos sem seu armamento atômico, embora provavelmente ele nunca seja usado. Para um estado pequeno como o Paquistão, foi a garantia de paz com a Índia. Para esta a garantia de paz com a China e para a China, de paz, inicialmente com a União Soviética e atualmente com os EUA

A chance paz para o Irã é fazer sua bomba a tempo , e se a Coréia do Norte tiver realmente a bomba, só receberá ataques verbais. 

Nossos governantes falharam em compreender a geopolítica do poder. O Collor foi ignorante ou traidor ao interromper o desenvolvimento do armamento nuclear.O FHC foi certamente traidor ao renunciar unilateralmente. Ao Lula faltou, no mínimo coragem. E a Dilma? Faltará também?

No Ministério da Defesa se comenta que devemos manter a capacidade de dissuasão sem visar um inimigo específico. Caso se refira a capacidade nuclear isto funcionaria, mas na sua ausência é indispensável pensar em como se opor as ameaças existentes. Considerando que nossos vizinhos não nos ameaçam, mas que devemos dissuadir aventuras de países desenvolvidos em busca de nossos recursos naturais, sentimos que 36 caças, mesmo os melhores do mundo, nada significam nesse contexto, mas bons mísseis terra-ar podem influir na dissuasão. Da mesma forma, mesmo com a renovação dos nossos meios flutuantes não causaríamos ano à uma esquadra poderosa, mas submarinos talvez sim. Nas forças de terra, até os melhores tanques do mundo seriam destruídos pelo ar, tão logo aparecessem, mas guerrilhas nas selvas, nos sertões e nas cidades colocariam em cheque uma ocupação.